domingo, 7 de fevereiro de 2010

Óscares 2010: opiniões sobre os nomeados para melhor filme

 

Este ano existem 10 nomeados para a categoria de melhor filme. Podiamos pensar que havia uma quantidade maior de qualidade mas, na minha opinião, não é mesmo esse o caso. Quase todos os nomeados são filmes imperfeitos, numa proporção ainda maior do que em outros anos.

Refiro, junto a cada filme, o numero de nomeações totais e o número dessas nomeações que eu acho realmente relevantes. Para mim, as nomeações relevantes são: melhor filme, melhor realizador, as 4 categorias de actores, cinematografia, edição e argumentos. A banda sonora também deveria ser importante, não fosse o facto de eu nunca concordar com as nomeações. A categoria de melhor filme de animação é, para mim, uma competição à parte.

 

Avatar” Nomeações: 9 totais, 5 relevantes

+ A demonstração tecnológica

- As personagens são tão básicas que se perde todo o impacto emocional. E para um filme que aposta tanto na componente visual, há criatividade a menos.

= Devia ganhar apenas nas categorias técnicas.

The Blind Side” Nomeações: 2 totais, 2 relevantes

+ A Sandra Bullock e o facto de, apesar de toda a previsibilidade, ser interessante do início ao fim.

- Apesar de tudo, não passa de um filme "TVI", com todo o moralismo e previsibilidade associados.

= A Sandra Bullock pode ser a favorita para melhor actriz mas eu tenho outra favorita.

District 9” Nomeações: 4 totais, 3 relevantes

+ A primeira metade do filme é original e tem verdadeiro impacto. A descoberta que fazemos das criaturas e do seu guetto é realmente cativante.

- A segunda metade mais parece um jogo de video, tanto visualmente como na evolução da história.

= Não é favorito em nenhuma categoria.

An Education” Nomeações: 3 totais, 3 relevantes

+ O dinamismo e mistura dram/comédia que o Nick Hornby coloca nos livros passou para este argumento. E a performance da Carey Mulligan ilumina o filme.

- Os minutos finais são apressados e o tom parece o de outro filme, mai preocupado com lições de moral.

= A Carey Mulligan é a minha favorita para melhor actriz principal.

The Hurt Locker” Nomeações: 9 totais, 6 relevantes

+ Um grande filme sobre a guerra moderna, sem violência gratuita mas com excelentes momentos de tensão e acção sem adornos.

- Nunca me senti realmente ligado às personagens e não sou mesmo fã da câmara que não pára quieta.

= Como ganhou o prémio do sindicato dos realizadores, é a favorita para melhor realizador(a), apesar de não concordar complectamente. Podia muito bem ganhar melhor montagem, um dos pontos fortes.

Inglourious Basterds” Nomeações: 8 totais, 6 relevantes

+ É uma delícia para fãs de diálogos à Tarantino, mesmo com referências culturais muito diferentes das do costume.

Christoph Waltz é genial e para mim é mesmo o actor principal. Todos os movimentos e ângulos das câmeras são estudados, e isso só ajuda a aumentar o protagonismo dos cenários. A forma como o humor funciona entre a tensão que domina o filme.

- A violência é gratuita e penosa, e o ritmo lento dominado por diálogos pode não ser para todos os gostos.

= É o meu favorito deste ano, mas a realização, o actor secundário e o argumento são realmente geniais.

Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire” Nomeações: 6 totais, 6 relevantes

+ É um filme duro, no bom sentido. O elenco é bastante sólido ao ponto de até a Mariah Carey fazer boa figura.

- É mais um filme "TVI", e este é mesm um bocado chato.

= Não acho o filme mais forte em nenhuma categoria, mas se ganhar para actriz secundária não me choca.

A Serious Man” Nomeações: 2 totais, 2 relevantes

+ As personagens bizarras típicas dos filmes dos irmãos Coen. A capacidade de gerar discussão. A música dos Jefferson Airplane. O argumento, quando enquadrado, é excelente.

- O argumento, quando se vê o filme "às escuras" parece desconexo e, até, desinteressante. Nem sempre há paciência para estes exercícios intelectuais e mesmo pretensiosos.

= Condenado a dividir opiniões, na minha opinião, o esforço compensa. No Óscares só tem hipóteses no argumento e é até um dos meus favoritos.

Up” Nomeações: 5 totais, 2 relevantes

+ O início do filme são os melhores 10 minutos do ano, divertido e emocionantes. As personagens secundárias continuam super divertidas.

- Com o decorrer do filme, principalmente quando a acção começa, o filme torna-se menos divertido.

= É o reconhecimento do valor dos filmes de animação actuais, cada vez mais taco a taco com os melhores filmes em qualquer formato. Não deve escapar o prémio de melhor filme de animação.

Up in the Air” Nomeações: 6 totais, 6 relevantes

+ O elenco é excelente, o argumento é dinâmico, divertido e tocante.

- É um pouco "leve" demais para ser um grande filme.

= Tem hipóteses nos actores e é muito forte no argumento adaptado.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Generation Kill: para compreender melhor a guerra moderna

Desde logo, o selo de qualidade David Simon/Ed Burns (Homice, The Corner, The Wire) mas desta vez sobre material de terceiros: o livro homónimo do jornalista Evan Wright, correspondente da Rolling Stone (?) que acompanha o 1º batalhão de reconhecimento dos Marines dos EUA.

Os sete episódios (quase 8 horas) acompanham os dias imediatamente antes da invasão até pouco depois da "conquista" de Bagdad. As marcas da dupla que criou a mini-série "The Corner" e as cinco séries da obra-prima "The Wire" (se não sabiam que é a melhor série de todos os tempos, agora já sabem) são muitas. A começar logo pelas personagens: numerosas personagens "principais", a vaguear entre o "bem e o mal". Tal como as outras séries referidas, aqui a crueza é palavra de ordem: não existe música (a única que existe é cantada acapela pelas personagens) à excepção da última cena, nem mesmo nos créditos iniciais e finais (ocupadas por mensagens de rádio), não há flashbacks nem explicações em voz-off. A linguagem é real, incluindo palavrões tanto calão como expressões militares, e a maioria nem nos é explicada. E a violência visual também não é poupada, sem no entanto ser gratuita. É antes utilizada como um veiculo para nos fazer sentir o que as personagens estão a sentir.

Não é uma série de acção, porque a guerra agora é diferente. A maior parte da série representa a maior parte do tempo de um soldado no Iraque: queimar tempo, conduzir, contar a última história emocionante. É uma série para reflectir: pensar como a guerra mudou, como o valor da vida é agora muito maior, mesmo que seja a vida de uma adversário. Pensar no impacto da guerra não só nos combatentes mas também em quem tem de viver nos palcos dos confrontos. E o mais impressionante é que nos proporcionam estas reflexões sem sentirmos que nos estão a pregarem nada.

É mais uma obra-prima da televisão dos mestres do costume, que há muito perceberam como manter o ultra-realismo e evitar qualquer momento desinteressante: ter verdadeiras Personagens e não tratar o público como crianças.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"Lo-fi" 1 – 0 "3D": "The Fantastic Mr Fox" e "Avatar"

Já começou a cerimónia de entrega dos Globos de Ouro: existem grandes probabilidades de "Avatar" ganhar o prémio de melhor filme dramático (acabou de ganhar o prémio equivalente da crítica americana) e é pouco provável que o "Fantastic Mr Fox" ganhe o prémio para melhor filme de animação ("Up" é, com muito mérito, o grande favorito). No entanto, a minha opinião pessoal é que o filme de animação lo-fi é muito superior à grande revolução num filme vazio que é o "Avatar".

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Começando por este último e pelo lado positivo. "Avatar" pode não ser o primeiro filme a utilizar a tecnologia 3D e a representação digital de humanos, humanóides e outros animais fantásticos mas é o primeiro filme que vejo em que tudo isso resulta num visual realmente credível e fluído. É essa a razão pela qual é considerado um marco: a partir de agora, sabe-se que é possível.

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No entanto, o positivo fica-se por aí. O problema não é a história ser demasiado parecida com a "Pocahontas" (essa crítica pode mesmo ser feita a grandes filmes) nem estar cheio de clichés em cima de clichés. O meu grande problema com o filme é o facto de, depois de mais de duas horas de filme, ainda estar indiferente ao que acontece às personagens, ao ponto de não sentir qualquer tipo de emoção em nenhum dos momentos "dramáticos" ou sequer excitação na "grande sequência" de acção final. O problema é uma mistura de personagens santas e injustificavelmente malvadas com diálogos nulos. Podia ser um filme de acção, mas é demasiado parado para isso. A ausência de humor também não ajuda, os únicos risos que o filme provoca são involuntários: um robot com uma faca de mato? Foi sem dúvida imprevisível e cómico.

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Tenho a sensação que ver o filme em casa vai ser uma experiência muito estranha, já que não há nada que justifique o filme para além do espectáculo visual. E, comparando com outro marco da tecnologia no cinema como o "Matrix", fiquei muito mais surpreendido com este último. Que pode ter personagens de cartão, maus diálogos, um péssimo actor principal e o seu quê de humor involuntário, mas que utiliza a técnica e a tecnologia para dar mais impacto à acção. E como filme de acção resulta notávelmente. Não sei onde é que o "Avatar" resulta para além de demonstração tecnológica. Pelo menos resulta em sucesso de bilheteira…

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Pouco tempo depois de ver o "Avatar", vi um filme que, sinceramente, não tinha grande vontade de ver, mas que meio contrariado lá comecei a ver. Sinceramente, já me desiludi vezes demais com os filmes de animação "alternativos", reduzindo a dose aos filmes da Pixar e do Hayao Miyazaki (que coleccionam obras-primas sucessivas). Mas, em poucos minutos, estava agarrado. E parte da sedução é a imperfeição visual que torna tudo mais absurdo e o humor mais cru. Acima de tudo, quando o filme acabou, já pedia uma repetição.

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Não funciona muito bem em termos dramáticos, não se sente grande coisa quando algo acontece às personagens, mas como comédia acerta em cheio. Só ouvir as personagens a falar é um prazer: uma mistura dos diálogos típicos do Wes Anderson com interpretações vocais que funcionam e que ajudam a ignorar alguma da frieza que sinto nos outros filmes do realizador. Para além dos companheiros do costume (Jason Schwartzman, Bil Murray, Owen Wilson), a surpreendente dupla George Clooney e Meryl Streep. A performance do George Clooney é mesmo genial, dando um tom diferente ao filme (não é uma voz típica para uma comédia).

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E não me canso de repetir o efeito da animação na pontaria do humor. Imperfeição propositada, é certo (até o frame rate foi diminuido para as falhas serem mais notáveis) mas que não se sente calculista. As perseguições e tiroteios não seriam a mesma coisa com uma animação mais perfeccionista.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O meu problema com os media (parte 1 de muitas e muitas)

Este está longe de ser o maior problema que tenho com os media, é só o que acabei de me deparar.

O programa em questão é o episódio "Battle Of Kursk" da série documental "Generals At War" do canal "National Geographic". O foco são as estratégias de batalha dos intervenientes na batalha (um tema que acho fascinante) que é conhecida por ser a maior batalha de tanques de sempre, e o tom é de entretenimento mais do que de história. O que não desculpa as falhas.

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O problema surge quando alguns "factos" começam a soar estranhos mesmo a quem não percebe muito do assunto. Soam tão estranhos que começam a soar a factos retirados de propaganda dos dois lados (ou três, porque os russos eram uma parte separada dos chamados "aliados"). Depois estranham-se os factos científicos: para se demonstrar o poder de uma mina anti-tanque, rebentam um carro (pequeno) meio desmontado com uma mina exactamente por baixo do mesmo. Está longe de ser uma demonstração próxima da realidade.

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No fim, repara-se num facto estranho: durante todo o episódio nunca se sitou uma única fonte. Tudo  o que se houve é um narrador "anónimo" e dois "especialistas". Ora, ter "especialistas" não é ter a verdade: o (pseudo) "History Channel" consegue arranjar "especialistas" para falar seriamente do "Da Vinci Armageddon". Se a Wikipedia consegue citar mais fontes do que um documentário televisivo de um canal "sério", algo está mal.

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É fácil encontrar fontes pelo menos razoavelmente documentadas a desmentir inúmeros pontos descritos como verdades neste documentário, até a pontos críticos: não houve uma batalha mas sim um conjunto de batalhas, não foi a batalha de tanques de sempre e as forças não se retiraram pela razão apresentada.

O grave é que isto não acontece de vez em quando: são mesmo raros os documentários e, já agora, as notícias que apresentam fontes minimamente credíveis. Há muito tempo que está aberta a porta a dizer o que mais convém (quaisquer que sejam os objectivos) sem preocupações de justificar o que quer que seja. Sabemos que a história é escrita pelos vencedores e os difusores da história como entretenimento estão-se a substituir às máquinas de propaganda. E os fins com que os fazem podem ser inocentes, mas a suspeita pode ser sempre justificada.

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Por estas e por outras, já não consigo ver um documentário ou uma notícia sem pensar na empresa dona do canal/jornal que os difunde. É pena.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Estão mesmo na moda os videoclipes com bolinha vermelha

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Top Gear: Bolivia Special

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Já é sabido que o Top Gear (BBC) é um dos melhores programas em qualquer televisão mundial, um programa sobre carros que é muito mais do que isso. Mas o episódio de 27 de Dezembro (S14E06) foi algo especial.

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A premissa: os três apresentadores são deixados na floresta amazónica na Bolívia com três 4x4 em 2ª mão comprados pela internet deixados numa jangada. O objectivo é chegar à costa do Pacífico no Chile (a mais de 1500 quilómetros), tendo pelo meio uma floresta, rios, cidades produtoras de cocaína, a "estrada mais perigosa do mundo", a "mais alta e pior capital do mundo" La Paz, uma travessia sobre um vulcão a mais de 5000 metros de altura e a descida de uma duna ,no mínimo, gigantesca.

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Percebe-se que as situações são controladas: era impossível filmagens tão perfeitas de outra forma, para além de não se acreditar que pudessem por em risco os apresentadores da forma como por vezes é sugerido (não vale a pena falar dos momentos em que não era suposto aparecerem outros membros da equipa mas, vendo com atenção, eles estão lá). Mas o que realmente interessa é que os 76 minutos têm aventura, comédia e suspense. No total, é da melhor televisão dos últimos tempos e melhor que a esmagadora maioria dos filmes que se podem ver no cinema.

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É também um daqueles momentos em que se justifica a televisão HD. Visualmente espantoso, faz qualquer fãs de road trips sonhar.

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sábado, 2 de janeiro de 2010

Os melhores álbuns de 2009 – Parte 2

 

10. Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix

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Pop, pura e simples. Talvez o álbum mais fácil de deixar em repeat de todos os lançados este ano, com tudo o que isso tem de bom e de mau. Lisztomania é sem dúvida uma das músicas mais viciantes do ano.

9. Sunset Rubdown – Dragonslayer

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Outra vez pop, desta vez na vertente hiperactiva. Musicas na sua maioria de 5 ou 6 minutos com múltiplas secções em vez dos versos-refrão habituais. E viciante, muito viciante.

8. Yeah Yeah Yeahs – It's Blitz

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Não era fã dos Yeah Yeah Yeahs, principalmente porque acho os álbuns cansativos. Desta vez começam de forma arrasadora (Zero e Heads Will Roll são das melhores músicas de dança do ano) mas, quando o álbum acalma, a qualidade mantém-se alta.

 

7. David Sylvian – Manafon

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O que mais impressiona nestas novas "músicas" do imprevisível David Sylvian é o impacto que um cenário tão minimalista e tão pouco musical (apenas a voz sobre fundos electro-acústicos largamente improvisados). Não é minimalista: mesmo os silêncios são parte essencial da composição.

 

6. And So I Watched You From Afar - And So I Watched You From Afar

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O rock instrumental raramente aguenta a duração de um álbum. A diferença aqui é o nível de energia sempre elevado (não há aqui progressões calmo-pesado) e a noção dos limites: quando algo se vai tornar cansativo, ou acaba ou aparece uma novidade. O exemplo mais radical disso é a excelente "Don't Wast Time Doing Things You Hate".

 

5. Aquaparque – É Isso Aí

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Pop experimental, de vozes processadas sobre batidas dessincronizadas, muita electrónica e sons aparentemente desconexos. Mas, como raras bandas portuguesas (Três Tristes Tigres eram um deles) conseguem soar ao mesmo tempo diferentes, desafiantes e fixar no ouvido as melodias mais estranhas. O melhor álbum português do ano!

4. Fever Ray – Fever Ray

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Ambiental, electrónico e muito dark. É um álbum estranho, principalmente nas primeiras audições, mas há algo sedutor que pede novas audições. Quando entra melhor no ouvido soa quase a uma Bjork gótica, um álbum onde os elementos mais estranhos são os que mais ficam na memória e com uma prestação vocal (não é voz porque esta está quase sempre alterado digitalmente) quase perfeita.

 

3. Bill Callahan – Sometimes I Wish We Were An Eagle

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Um álbum de cantautor muito muito próximo da perfeição. Começa pelo excelente som, quente mas pormenorizado e pelos arranjos, que vão para além da guitarra e estão mais próximos de uns Tindersticks. Mas o mais impressionante são as letras e a voz grave que agarra a etenção logo na primeira frase.

 

2. Dinosaur Jr – Farm

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Do inicio ao fim, rock ruidoso (à anos 80), melodias pop e solos de guitarra explosivos. Não é um regresso ao passado pois estão melhores que nunca. Apesar de todas as músicas manterem o som de marca (guitarras ruidosas, voz frágil) cada faixa tem uma identidade própria. Chega-se ao fim com os ouvidos a zumbir mas a querer repetir. E estes são mesmo os solos de guitarra do ano!

 

1. Kylesa – Static Tensions

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Num ano em que bandas do mesmo movimento como Mastodon ou Baroness lançaram álbuns menores (na minha opinião, que não parece ser a da maioria), os grandes vencedores foram os Kylesa. Dois bateristas, três vocalistas e 40 minutos sem uma nota desperdiçada. A lembrar os "velhos" Neurosis, metal agressivo, desafiante e, principalmente, viciante do início ao fim. E que melhora cada vez que se ouve...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Os melhores álbuns de 2009 - Parte 1

Confesso que este ano ouvi muita música de outras décadas e pouca de 2009, por isso não foi fácil fazer esta lista. Mas aqui vai a primeira parte (a segunda ainda estou a escolher a ordenação):

20. Clark – Totems Flare

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Quando a electrónica está incorporada em todos os géneros musicais, é cada vez mais raro encontrar álbuns "apenas" de electrónica dignos de registo. Este é sem dúvida um desses álbuns, mesmo que não se aguente a grande nível até ao fim.

Nota: não, não encontrei vídeo melhor…

19. Converge – Axe To Fall

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Misturas de punk hardcore e metal estão longe de ser novas mas descargas de energia tão eficazes já são mais raras. E enquanto o ritmo é alto, os Converge são imparáveis, infelizmente os momentos mais lentos são bastante mais desinteressantes.

18. Linda Martini – Intervalo

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Qualquer edição "menor" dos Linda Martini é digna de registo. "Intervalo" é um mini-álbum ao vivo em estúdio com participação activa do público. Para não nos esquecermos qual é a melhor banda portuguesa actual, ainda por cima numa edição gratuita do "Optimus Discos".

Nota: em vez de um vídeo, que tal ouvirem o álbum complecto ou fazerem o download legal?

http://www.optimusdiscos.com/discos/intervalo

17. The Decemberists – Hazards Of Love

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Não consigo ouvir esta mistura de folk com rock progressivo sem me lembrar dos Jethro Tull. Quando é bom, é alguma da música mais entusiasmente do ano. Infelizmente tem alguns momentos menores que quebram o ritmo do álbum.

16. Flaming Lips – Embryonic

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O álbum onde os Flaming Lips voltaram a ser os Fearless Freaks. 70 minutos caóticos, dificeis de "entrar", sem destaques individuais. No entanto, como álbum (e ao fim de algumas audições), todo o caos faz sentido.

Nota: o vídeo que se segue está recheado de nudez e hippies. Estão avisados :P

http://www.nme.com/video/bcid/49582897001

15. Três Cantos – Ao Vivo

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Gravação da reunião histórica de três figuras maiores da música popular (e de intervenção) portuguesa. Para além da nostalgia, uma prova da sua relevância actual.

14. Sara Jarosz – Song Up In Head

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Álbum de bluegrass por uma virtuosa da guitarra e do banjo com 18 anos. E 11 originais muito muito bons, a provar talento para além do virtuosismo instrumental. E quem é que resiste a um bom solo de banjo ou violino "country style"?

13. Fuck Buttons – Tarot Sport

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Música electrónica não dançável e ruidosa. Nem toda a gente terá a paciência para digerir os lentos crescendos das várias músicas que rondam os 10 minutos, mas quem o faz ouve faixas épicas e verdadeiramente hipnóticas.

12. K'naan – Troubador

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Sim, é um álbum de rap "leve", mas consegue o feito mais raro num álbum do género: não tem uma única música má. O facto de deixar de lado o "gangsta rap" e centrar-se as letras a vida entra a América e África (particularmente a Somália) é mais um ponto a favor.

Nota: o vídeo tem algumas imagens rápidas mas fortes. Nada muito explícito mas é só para não serem apanhados de surpresa.

11. Norberto Lobo – Pata Lenta

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Um álbum só com uma guitarra acústica não deveria ser tão bom. Mas este álbum tem a duração certa (34 minutos) e evita erros típicos: nunca se transforma nem em música ambiente nem em exibicionismo.

 

O resto da lista fica para breve.